Quatro funcionários da revista satírica turca “LeMan” foram presos na terça-feira, 1º de outubro, após a publicação de uma charge considerada ofensiva por figuras religiosas, principalmente no que se refere ao profeta Maomé. A ilustração, que viralizou nas redes sociais, apresenta dois personagens voando sobre uma cidade em chamas, com um deles se identificando como “Maomé”. A representação é vista como uma violação das crenças do islamismo, que proíbe a imagem do profeta.
A controvérsia gerou protestos em frente à sede da revista e levou o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, a classificar a publicação como “provocação vil”. Erdogan anunciou que os exemplares da edição foram confiscados e que ações legais contra a revista estão sendo tomadas, descrevendo a caricatura como um “crime de ódio”. O ministro do Interior, Ali Yerlikaya, também criticou a charge, afirmando que ela fere os valores religiosos da sociedade. Os funcionários detidos incluem o editor-chefe, o designer gráfico, o diretor institucional e o cartunista, e mandados de prisão foram emitidos para outros membros da alta direção da revista.
Tuncay Akgun, editor-chefe da “LeMan”, atualmente em Paris, defendeu a obra, afirmando que a intenção do cartunista foi mal interpretada. Ele comparou a reação à situação enfrentada pela revista francesa “Charlie Hebdo”, que sofreu um ataque após similar polêmica em 2015. A revista se encontra sob investigação do Ministério Público por “insultar publicamente valores religiosos”, e o desdobramento da situação permanece incerto, com possíveis mudanças na dinâmica da liberdade de expressão e humor na Turquia aguardadas.

