O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento para investigar a possível existência de um esquema de favorecimento e desvio de finalidade nos Correios, envolvendo a contratação de funcionários por meio de uma empresa terceirizada que mantinha contratos com a estatal.
A investigação tem como base denúncias da GO2B, distribuidora que alega ser vítima de um “calote escandaloso” por parte dos Correios. A empresa acusa a estatal de priorizar o pagamento de empresas com ligações políticas, em detrimento de outras.
A denúncia da GO2B ao MPF aponta para uma “prática de coerção” e “abuso de poder” por parte de gestores dos Correios, com o objetivo de obter “contratações de interesse particular”, configurando uma vantagem ilícita. A empresa alega que a situação não é um caso isolado, mas sim um reflexo de um padrão de desvios, fraudes e aparelhamento institucional nos Correios.
A GO2B apresentou ao MPF mensagens de WhatsApp que indicariam pedidos frequentes de empregos para contatos e até para a esposa de um dos dirigentes dos Correios. Segundo a denúncia, os pedidos eram acompanhados de promessas de que a estatal regularizaria pagamentos atrasados à empresa.
A denúncia alega que a estatal, através de seus representantes, buscou criar uma “falsa aparência de imparcialidade” ao se aproximar da GO2B, “simulando” uma disposição para resolver pendências contratuais. O objetivo seria retardar a adoção de medidas judiciais por parte da GO2B e obter vantagens indevidas por meio da contratação de empregados terceirizados indicados por essas figuras.
Os documentos apresentados citam mensagens de WhatsApp enviadas por dois dirigentes com “forte ligação com a alta direção e presidência da estatal”. Durante as negociações e reuniões ocorridas em 2023, um dos dirigentes, que atuava como gestor regional da estatal, adotava um discurso de “resolução e parceria”, prometendo quitar pendências da estatal, o que não se concretizou.
A denúncia afirma que essa postura visava criar um ambiente de confiança artificial para induzir a GO2B a contratar terceirizados indicados por interesses particulares. A empresa alega ter sido coagida a aceitar as indicações devido ao receio de represálias.
Em uma das mensagens, datada de 11 de junho de 2023, um dirigente pede emprego para sua companheira, afirmando que ficaria “eternamente grato” e prometendo resolver questões administrativas para liberar as verbas atrasadas da empresa.
O caso encontra-se em fase inicial de tramitação no MPF.
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