**Projeções Demográficas Globais Apontam para Mudanças Significativas até 2100**
Um futuro demográfico global em transformação projeta o surgimento de países como Paquistão (511 milhões), Nigéria (477 milhões) e Congo (431 milhões) como potências populacionais, enquanto a China pode enfrentar uma redução de 40% em sua população e o Japão, uma diminuição de 124 milhões para 77 milhões de habitantes. O Brasil também deverá experimentar um declínio populacional, passando dos atuais 213 milhões para 163 milhões.
O encolhimento populacional em países ricos e de renda média é um fenômeno crescente, particularmente evidente no Japão. Em 2024, o país registrou 686.061 nascimentos, marcando a primeira vez desde 1899 que o número de nascimentos ficou abaixo de 700 mil. A queda de 5,7% em relação a 2023 é considerada uma “emergência silenciosa” pelo primeiro-ministro Shigeru Ishiba. A Coreia do Sul enfrenta uma situação semelhante, com a menor taxa de natalidade do mundo, de 0,72 filhos por mulher, enquanto o Japão registra 1,15.
Ambos os países compartilham características como uma população feminina jovem e instruída que busca oportunidades além das tarefas domésticas, mas enfrenta desafios culturais para conciliar maternidade e carreira. O Japão também foi pioneiro no fenômeno dos “meninos do porão”, ou *hikikomori*, jovens que se isolam socialmente devido ao medo do fracasso e outras razões.
A contrapartida de uma sociedade organizada e desenvolvida é o desafio de manter as garantias sociais. Com projeções indicando que 40% da população japonesa terá mais de 65 anos em 2070, surge a questão de como sustentar aposentadorias e serviços de saúde. O país possui a maior expectativa de vida do mundo, mas uma população idosa crescente exige que os mais jovens contribuam mais ou trabalhem por mais tempo.
Culturalmente, o Japão não é aberto à imigração, o que poderia mitigar os efeitos da desaceleração populacional. Em contraste, os Estados Unidos projetam um aumento populacional, atingindo 421 milhões em 2100.
Em diversas culturas, mulheres com maior acesso à educação e contracepção tendem a optar por famílias menores. Governos preocupados com a queda na natalidade enfrentam dificuldades para reverter essa tendência.
Embora existam grupos natalistas que defendem o aumento do número de filhos para “salvar a civilização”, como o caso de Elon Musk, o Japão se destaca como um laboratório avançado do encolhimento populacional e suas consequências. A falta de bebês impacta até a monarquia, com o atual imperador Naruhito tendo apenas uma filha e a linha dinástica passando para seu irmão, Hisahito, que teve um filho para garantir a sucessão ao trono.
Siga as redes sociais de alegarcia.top em @alegarcia.top.

