Sinais de violência em crianças autistas exigem atenção, diz especialista

Sinais de violência em crianças, especialmente aquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), demandam atenção redobrada. Mudanças de comportamento, marcas no corpo e negligência são alertas importantes, conforme explica o advogado Ariel de Castro Alves, especialista em direitos da infância e membro da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB Nacional. O alerta surge após o resgate de três crianças em Santos (SP), uma delas com TEA, em condições de abandono e sinais de negligência.

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**Dificuldade de comunicação aumenta a vulnerabilidade**

Crianças com TEA podem ter mais dificuldade em relatar abusos devido a desafios na comunicação e socialização. Por isso, a observação atenta de sinais torna-se crucial. “Mudanças bruscas de comportamento, lesões como hematomas, escoriações, equimoses e o medo excessivo de adultos são indicadores de alerta”, ressalta Alves.

**Consequências físicas e emocionais dos maus-tratos**

Os maus-tratos podem gerar uma série de consequências físicas e emocionais. Depressão, ansiedade, agressividade, alterações no sono e na alimentação, baixa autoestima, choro repentino e até problemas respiratórios podem ser observados.

**Sinais de negligência não podem ser ignorados**

A negligência também deixa rastros importantes. Desnutrição, falta de higiene, roupas rasgadas ou sujas, ausência em consultas médicas, retrocessos no desenvolvimento (como voltar a usar fraldas) e atrasos constantes na escola são sinais que exigem atenção.

**Comportamentos que indicam sofrimento**

Mudanças comportamentais também são um indicativo. Uma criança que antes era alegre e extrovertida e se torna introvertida, com dificuldade de socialização, pode estar sofrendo. Em casos mais graves, podem surgir comportamentos de automutilação, ideias suicidas ou falas ligadas à dor e à morte.

**Responsabilidade coletiva na identificação e denúncia**

Identificar os sinais e buscar ajuda é uma responsabilidade de todos. Segundo o especialista, a maioria dos casos de maus-tratos ocorre dentro de casa, em um contexto de violência doméstica. “Os pais, mães, responsáveis legais, vizinhos e todas as pessoas que convivem com a família devem observar”, enfatiza Alves.

**Legislação brasileira protege crianças e adolescentes**

O Brasil possui leis específicas que garantem a proteção integral de crianças e adolescentes. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei Menino Bernardo (nº 13.010/2014) e a Lei Henry Borel (nº 14.344/2022) estabelecem punições contra a violência doméstica infantil.

**Como denunciar casos de violência**

Em caso de suspeita ou confirmação de violência contra crianças e adolescentes, a denúncia pode ser feita de forma anônima pelo Disque 100, em todo o país. Em casos de urgência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. O Conselho Tutelar mais próximo da residência da vítima também pode ser contatado.

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