A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta segunda-feira (23), Nelson Ribeiro Fonseca Junior a 17 anos de prisão por furtar uma bola de futebol autografada pelo jogador Neymar Jr. O objeto foi roubado do museu da Câmara dos Deputados durante a invasão ao Congresso Nacional em 8 de janeiro de 2023, ato que ficou marcado pelos ataques de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ex-deputado federal Marco Maia (PT), que na época era presidente da Câmara, recebeu a bola como presente durante uma sessão solene em homenagem ao centenário do Santos Futebol Clube, em abril de 2012. Maia lamentou o furto e expressou satisfação com a condenação. “A bola se transformou em um símbolo da comemoração de 100 anos do Santos”, apontou o ex-parlamentar, que também relembrou a tristeza ao ver os danos causados no museu após a invasão. A bola, que ficou desaparecida por quase três semanas, foi encontrada em 28 de janeiro de 2023 em Sorocaba (SP). Fonseca alegou que tentou devolver a bola à polícia, mas a levou para casa devido ao tumulto no dia da invasão.
Durante o julgamento, o relator, ministro Alexandre de Moraes, refutou as alegações da defesa, que argumentava que a retirada da bola tinha o intuito de protegê-la. Os ministros acompanharam o voto do relator, com penas que variaram nas opiniões, mas culminaram em uma condenação unificada. Além da prisão, o STF impôs uma condenação em danos morais coletivos no valor de R$ 30 milhões, a serem pagos solidariamente com outros condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Em relação ao futuro do caso, a defesa de Fonseca anunciou a intenção de recorrer da decisão, argumentando a violação de princípios processuais e a necessidade de revisão da condenação. A questão do furto da bola revisita o debate sobre os eventos de janeiro e o impacto deles nas instituições brasileiras, ressaltando a importância do respeito à história e aos bens culturais do país.
