O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste sábado, durante a abertura do Fórum Empresarial do Brics no Rio de Janeiro, a criação de uma “governança multilateral” para regular o uso da inteligência artificial. Segundo Lula, o desenvolvimento descontrolado dessa tecnologia sem diretrizes claras pode resultar em “riscos e efeitos colaterais” significativos. O evento marca o início das atividades que antecedem a cúpula do Brics, na qual se reunirão líderes de 11 países-membros.
Lula ressaltou a urgência de estabelecer diretrizes comuns sobre inteligência artificial, defendendo padrões mínimos de transparência e segurança no uso dessa tecnologia. Ele alertou que, na ausência de um consenso global, modelos desenvolvidos por grandes empresas tecnológicas podem dominar o mercado, impondo riscos à sociedade. “A inteligência artificial traz possibilidades que, há poucos anos, sequer imaginávamos. […] Os riscos e efeitos colaterais da inteligência artificial demandam uma governança multilateral”, afirmou. Na mesma ocasião, o presidente destacou a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento, que inclua agricultura sustentável, indústria verde e infraestrutura resiliente, especialmente em um cenário de ressurgimento do protecionismo mundial.
Lula também enfatizou a importância do multilateralismo, tanto em questões comerciais quanto financeiras, e destacou o Brics como um “polo aglutinador de economias prósperas e dinâmicas”. Em seu discurso, ele abordou a participação das mulheres na economia e na política, incentivando-as a conquistarem seus espaços de forma proativa. O presidente indicou que neste sábado se reunirá com representantes de diversos países, incluindo Etiópia, Vietnã, Nigéria e Abu Dhabi, além do primeiro-ministro da China, Li Qiang.
A cúpula do Brics, que ocorrerá entre domingo e segunda-feira, é considerada o ponto alto da presidência brasileira no grupo em 2025. Durante este encontro, os líderes discutirão temas como combate à pobreza, financiamento climático, comércio e inteligência artificial. Está previsto o estabelecimento de parcerias que visam eliminar doenças relacionadas à miséria e garantir acesso democrático a novas tecnologias. No contexto atual, três chefes de Estado de países-membros, incluindo os líderes da Rússia e da China, não participarão do evento, que contará com reforço na segurança e restrições no espaço aéreo.
