O Dalai Lama, líder espiritual do budismo tibetano, declarou que espera viver até mais de 130 anos, superando sua previsão anterior em duas décadas. A afirmação foi feita durante uma cerimônia de orações em comemoração aos seus 90 anos, celebrada neste domingo (6) em Dharamshala, no norte da Índia, onde reside desde 1959, após sua fuga do Tibete. Em sua fala, Tenzin Gyatso, que também é laureado com o Prêmio Nobel da Paz, confirmou que reencarnará após sua morte, assegurando a continuidade da linhagem espiritual que perdura por séculos.
O Dalai Lama, reconhecido como o líder espiritual do Tibete, enfatizou a importância de sua missão em servir ao Buddhadharma e aos tibetanos exilados. Em seu discurso, destacou ter beneficiado muitos durante sua vida de exílio. A cerimônia reuniu milhares de seguidores de diversas partes do mundo, que expressaram sua alegria com os planos do líder espiritual. O Dalai Lama também reforçou a posição de que sua reencarnação será reconhecida apenas pela sua instituição, o Gaden Phodrang Trust, e que ocorrerá em um “mundo livre”, fora do controle chinês. Pequim, que considera o Dalai Lama um separatista, tem se oposto à sua liberdade em determinar a sucessão, pretendendo influenciar na escolha de seu sucessor.
Os procedimentos tradicionais para reconhecer a reencarnação do Dalai Lama envolvem buscas cuidadosas por sinais físicos, sonhos proféticos e testes com crianças do sexo masculino. Tenzin Gyatso foi identificado como o 14º Dalai Lama quando tinha apenas dois anos, em 1937. Com a declaração recente sobre sua continuidade e reencarnação, o líder espiritual reafirmou sua relevância no contexto atual do Tibete, que continua sob influência chinesa e busca a preservação de sua identidade cultural e religiosa. O futuro do budismo tibetano poderá depender, em parte, da forma como a escolha de seu sucessor se desenrolará nos próximos anos.
