O que seria um passeio de rotina terminou em tragédia na manhã da última quinta-feira (21), em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Câmeras de segurança registraram o momento em que o técnico Bruno Edgard Carvalho, de 34 anos, levava o yorkshire Cuscuz, para a área pet do condomínio Bossa Nova. Poucos minutos depois, o animal foi atacado por um cachorro da raça american bully, que estava solto, sem guia nem focinheira, como determina a legislação municipal.
— Em uma só bocada ele matou o Cuscuz. Do nada, meu cachorro morreu — lamentou Bruno, ainda abalado.
Segundo relatos de moradores, o american bully entrou em disparada no espaço e atacou diretamente a cabeça do yorkshire. O cão estava aos cuidados da sogra de sua tutora, Ingrid Padrão, uma idosa que não conseguiu reagir ao ataque.
— Aconteceu com o meu cachorro, mas poderia ter acontecido com uma criança. Essa tragédia mexeu muito comigo, estou sem conseguir trabalhar — disse o tutor do yorkshire.
HISTÓRICO DE AGRESSIVIDADE
Moradores do condomínio relataram à polícia que o american bully já havia circulado em outras ocasiões sem focinheira e sem coleira, e chegou a morder uma funcionária. No momento do ataque, testemunhas afirmaram ainda que a tutora do animal estava distraída mexendo no celular, sem perceber quando o cachorro avançou sobre o yorkshire.
O caso foi registrado na 35ª DP (Campo Grande). A Polícia Civil informou que está ouvindo testemunhas e vai analisar as imagens das câmeras de segurança para definir as medidas cabíveis.
O secretário municipal de Proteção e Defesa dos Animais, Luiz Ramos Filho, acompanha a apuração e reforçou a necessidade de responsabilidade dos tutores.
— Infelizmente, esses casos de ataques de cães agressivos sem focinheira vêm se repetindo. Eu faço um apelo para que os tutores tenham responsabilidade e não saiam com cães agressivos sem a focinheira, a coleira e a guia. Não se pode botar em risco a vida de pessoas nem de animais — afirmou o secretário.
Abalado, Bruno contou que Cuscuz era tratado como parte da família e que a perda repentina deixou um vazio em casa.
— Eu só penso que poderia ter sido uma criança no lugar do meu cachorro. Isso não pode acontecer de novo — disse.

