Entre todas as punições previstas pela Justiça, a pena de morte talvez seja a mais angustiante. Além da gravidade da condenação, o processo costuma arrastar-se por anos, com recursos e apelações que raramente alteram o desfecho. Nesse período, os detentos convivem diariamente com a contagem regressiva para a execução.
O caso da britânica Lindsay Sandiford, de 69 anos, condenada por tráfico de drogas na Indonésia e no corredor da morte há 12 anos, voltou a chamar atenção. Cansada da espera, ela afirmou recentemente desejar “morrer logo”, reacendendo o debate sobre a condição dos presos que aguardam a pena capital.
Nos Estados Unidos, um dos casos mais emblemáticos é o de Dylann Roof, hoje com 31 anos, condenado à morte pelo assassinato de nove fiéis negros em uma igreja de Charleston, em 2015. O atirador permaneceu no culto por 45 minutos antes de abrir fogo e nunca demonstrou arrependimento. Sua defesa segue tentando reverter a sentença, alegando falhas no julgamento.

Outro caso que chocou os EUA foi o de Christie Michelle Scott, de 45 anos, sentenciada em 2009 à pena de morte pelo incêndio que matou seu filho de 6 anos, em 2008. A acusação sustentou que ela teria provocado a tragédia para receber um seguro de vida equivalente a R$ 947 mil.

Na Califórnia, Tiequon Cox, hoje com 59 anos, está no corredor da morte desde 1986, após assassinar quatro familiares do ex-jogador de futebol americano Kermit Alexander. A chacina, cometida por membros de uma gangue, marcou profundamente a vida do atleta, que declarou ter superado o desejo de vingança acreditando na força da lei.

Condenado em 1997, Richard Glossip já viu sua execução ser adiada três vezes e até realizou “últimas refeições” sem que a pena fosse cumprida. Ele alega inocência e afirma ter sido vítima de falsas acusações. Seu caso é frequentemente citado em debates sobre erros judiciais nos EUA.

Também nos EUA, Scotty Ray Gardner, de 60 anos, condenado em 2018 por matar a namorada, implora atualmente ao Estado do Arkansas para ser executado. Ele alega viver em condições insalubres e diz preferir a morte à permanência na prisão.

No Irã, o médico Ahmadreza Djalali, especialista em medicina de emergência e com cidadania iraniana e sueca, foi condenado à morte por suposta espionagem a favor de Israel. A defesa alega que a confissão foi obtida sob tortura. O caso tornou-se símbolo das denúncias de violações de direitos humanos no país.

No Vietnã, a empresária Truong My Lan, de 68 anos, foi sentenciada à morte em 2023 após ser considerada culpada por desviar bilhões de dólares por meio de um esquema de fraude bancária. O caso envolve cerca de 6% do PIB do país. Apesar de apelações, o tribunal manteve a condenação. Em junho, porém, mudanças na legislação abriram a possibilidade de revisão da sentença.

Por fim, Lindsay Sandiford, presa em 2013 ao tentar entrar em Bali com cocaína, segue à espera da execução. Mãe de dois filhos e avó, ela diz já ter aceitado o destino. “Não quero que minha família venha. A única certeza da vida é que ninguém sai vivo”, afirmou em entrevista.


