Um ano após a morte de Cesar Fine Torresi, de 77 anos, após ser atingido por uma voadora do empresário Tiago Gomes de Souza em Santos (SP), o caso aguarda a definição do local do júri popular. O crime, que ocorreu em 8 de junho de 2024, teve grande repercussão nacional e o réu permanece preso preventivamente na Penitenciária Tremembé II. A defesa de Souza solicitou que o julgamento seja transferido para outra cidade, alegando potencial influência da comoção pública sobre os jurados.
Cesar Fine Torresi e seu neto de 11 anos atravessavam a Rua Pirajá da Silva, no bairro Aparecida, quando foram surpreendidos pela freada brusca do veículo conduzido por Tiago Gomes de Souza. O idoso se apoiou no capô do carro, momento em que foi agredido com um chute. O caso evoluiu rapidamente na Justiça, conforme destacou o juiz da Vara do Júri de Santos, Alexandre Betini.
Após o crime, Tiago Gomes de Souza tentou fugir, mas foi detido pela Polícia Militar. Cesar Fine Torresi foi socorrido pelo Samu, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na UPA Zona Leste. No dia seguinte, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. A defesa do réu tentou, sem sucesso, obter um habeas corpus.
A reconstituição do crime, realizada em 13 de junho de 2024, contou com a presença de Tiago Gomes de Souza, seu advogado, um promotor do Ministério Público e o filho da vítima, Bruno Cesar Fine Torresi. Em meio à comoção popular, Souza chegou a se ajoelhar e pedir desculpas. O laudo necroscópico apontou que a causa da morte foi traumatismo cranioencefálico e edema no pericárdio.
O Ministério Público denunciou Tiago Gomes de Souza por homicídio qualificado. A defesa alegou que o empresário teve um “ataque de fúria” e que faz uso de medicamentos controlados. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da agressão. A defesa também alegou que Souza sofre de transtorno bipolar, depressão e é pai de três filhos, um deles com necessidades especiais.
Em março de 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a decisão de levar Tiago Gomes de Souza a júri popular. Bruno Cesar Fine Torresi, filho da vítima, moveu uma ação por danos morais e obteve ganho de causa, com indenização fixada em R$ 60.720. O valor será destinado às despesas médicas do neto que presenciou o crime. O Ministério Público se manifestou contrário ao pedido da defesa para transferir o júri para outra cidade. O promotor de Justiça Fabio Perez Fernandez afirmou que o réu “pode correr, mas não pode se esconder!”. A expectativa é que a Justiça defina em breve o local do julgamento, que definirá o futuro de Tiago Gomes de Souza.
