## Tecnologia como alternativa para pacientes com Parkinson que não respondem à medicação, afirmam especialistas
Após o cantor Morten Harket, vocalista da banda a-ha, revelar seu diagnóstico de Doença de Parkinson e o tratamento com Estimulação Cerebral Profunda (DBS), a tecnologia surge como uma alternativa promissora para pacientes que não apresentam melhora com medicamentos.
O DBS, comparado a um “marcapasso cerebral” pelo neurologista Rubens Cury do Hospital Israelita Albert Einstein, envolve a implantação de eletrodos em áreas específicas do cérebro, conectados a uma bateria no tórax. Essa bateria envia impulsos elétricos que modulam a atividade cerebral, auxiliando no controle de tremores, rigidez e lentidão, sintomas motores característicos da doença.
Segundo Marcelo Valadares, neurocirurgião funcional e pesquisador da Unicamp, o procedimento é indicado para 15 a 20% dos pacientes, aqueles em que a medicação já não surte o efeito desejado. “A cirurgia também é eficaz naqueles que apresentavam melhora com medicamentos, mas em determinado momento começam a ter complicações”, explica Valadares. As vias cerebrais onde o DBS atua são similares às vias onde age a Levodopa, o remédio mais popular para controlar a doença.
Cury ressalta que pacientes muito idosos ou com quadros de demência podem não ser os melhores candidatos ao procedimento. Durante a cirurgia, o paciente permanece acordado para que a eficácia dos eletrodos seja testada em tempo real. Após a fixação dos eletrodos e da bateria, o sistema é ativado e calibrado, com melhoras significativas observadas nos primeiros meses.
A resposta ao DBS costuma ser rápida e duradoura, aliviando sintomas motores, permitindo a redução da dosagem de medicamentos e contribuindo para uma melhora global na qualidade de vida do paciente. “Muitos voltam a realizar atividades diárias com mais autonomia, dormem melhor e participam mais da vida social e familiar”, conclui Cury.
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