A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) concluiu, nesta segunda-feira (2), a investigação de crime de homotransfobia praticado por um pastor em redes sociais e em palestras. Em um dos discursos, ele cita a deputada Erika Hilton (PSOL-SP).
Segundo a investigação, o pastor Flávio Amaral afirmou que a deputada “não era incluída no dia das mulheres, pois mulher não vira mulher, mulher nasce mulher”.
Além disso, o religioso fez publicações sugerindo a “cura” de pessoas LGBTQIA+ pela religião, além de chamá-las de “filhos da ira e da perdição” e disseminar outros conteúdos homotransfóbicos.
Ao g1, a defesa do pastor informou, em nota, que as acusações são “baseadas em interpretações distorcidas de suas ações”.
De acordo com a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou Orientação Sexual (DECRIN), o pastor foi indiciado por crimes resultantes de preconceito. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que vai analisar a denúncia. Se condenado por todos os crimes, o pastor pode pegar de 6 a 15 anos de reclusão.
Flávio Amaral, que atualmente reside em Itanhaém, São Paulo, se apresenta nas redes sociais como “missionário e pastor, liberto da homossexualidade”. Ele também é investigado pelo Ministério Público por transfobia e tortura, após uma denúncia feita pela deputada Erika Hilton e pela vereadora de São Paulo Amanda Paschoal (PSOL). O documento foi assinado pelas parlamentares depois que uma jovem trans, de 22 anos, que passava por um processo de “destransição” e “cura gay” promovido pelo líder religioso, se suicidou.
A defesa do pastor, em nota, esclareceu que ele defende a liberdade de expressão e o respeito à diversidade, e que as acusações são baseadas em interpretações distorcidas de suas ações. O advogado ressaltou que o indiciamento é atribuir a alguém a condição de suspeito em uma investigação criminal durante o inquérito policial. A defesa pediu que os veículos de comunicação evitem a divulgação de informações sensacionalistas que possam prejudicar a luta por direitos iguais e respeito à dignidade de todos os cidadãos.

