Praia Grande (SP) – A irmã e o cunhado de Igor Peretto, assassinado a facadas em 31 de agosto de 2024, e a viúva são acusados de participação no crime. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Marcelly Peretto (irmã), Mario Vitorino (cunhado) e Rafaela Costa (viúva) por homicídio qualificado, alegando que Igor era um “empecilho” em um triângulo amoroso entre os três. A Justiça agora decidirá se os réus irão a júri popular. A defesa dos acusados nega a versão do MP-SP.
**Relação familiar e o impacto no filho da vítima**
Um vídeo divulgado pelo vereador Tiago Peretto, irmão de Igor, mostra o filho da vítima, de seis anos, entregando o primeiro pedaço do bolo de aniversário à tia Marcelly. Segundo Tiago, o menino tinha um forte laço afetivo com a tia, que é acusada de envolvimento no crime. Atualmente, a criança está sob a guarda da avó paterna.
De acordo com Tiago, o sobrinho ficou abalado ao saber da prisão de Marcelly. Em sessão com a psicóloga, o menino teria chorado e negado a participação da tia no crime. A família busca evitar o assunto na presença da criança, seguindo orientação profissional.
**Detalhes do crime e a investigação**
Igor Peretto foi morto a facadas no apartamento de sua irmã, Marcelly. De acordo com a investigação, Rafaela e Marcelly chegaram juntas ao local, mas a viúva saiu 13 segundos antes da chegada de Igor e Mario. Imagens de câmeras de segurança mostram os três suspeitos e a vítima chegando ao apartamento.
Os registros indicam que Rafaela deixou o prédio pouco antes da chegada de Igor e Mario. Câmeras flagraram uma discussão entre Igor e Mario no elevador. Mario e Marcelly deixaram o local juntos após o crime, seguindo para o apartamento de Mario.
**Acusação do Ministério Público e a defesa**
O MP-SP sustenta que o crime foi premeditado, com Mário desferindo as facadas, Rafaela atraindo a vítima e Marcelly incentivando o ato. A promotoria alega que a morte de Igor traria vantagens financeiras aos acusados, com Mário assumindo a liderança da loja de motos da vítima e Rafaela recebendo herança. Marcelly também se beneficiaria financeiramente, segundo o MP.
As mulheres se entregaram e foram presas em 6 de setembro, enquanto Mário foi detido no dia 15 do mesmo mês. A Justiça converteu as prisões temporárias em preventivas. A primeira audiência de instrução ocorreu em 20 de março, com retomada em 7 de maio e nova sessão marcada para 16 de junho.
**Próximos passos do caso**
Após os interrogatórios, as defesas apresentaram pedidos complementares até 18 de junho. O advogado de Rafaela solicitou a restituição do celular da ré para buscar elementos que comprovem sua inocência. A defesa espera que Rafaela não vá a júri popular.
O advogado de Mario Vitorino disse que confia na imparcialidade do Judiciário e solicitou acesso aos autos sobre o “vazamento de dados” no inquérito, a restituição dos telefones apreendidos e a revogação da prisão preventiva. O advogado de Marcelly Peretto contestou a denúncia do MP, alegando que não havia um “triângulo amoroso” e solicitou informações sobre o inquérito feito pela Polícia Civil.

