Moradores do Morro do Juramento, na zona norte do Rio de Janeiro, enfrentam intensa violência nos últimos dias devido a confronto entre traficantes do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP). Na noite da última quinta-feira, houve troca de tiros que durou cerca de oito horas, resultando em um morador atingido na perna enquanto voltava do trabalho. O conflito se intensificou após o Ministério Público denunciar líderes do CV na região, refletindo uma disputa por território e causando preocupação entre os moradores.
Nos últimos meses, a rivalidade entre as facções se agravou, resultando em homicídios e desaparecimentos, segundo inquérito da Polícia Civil. Dois homens foram encontrados mortos nas imediações do Morro do Juramento entre quinta-feira e ontem. Um dos moradores que sofreu um ferimento foi socorrido e levado para o Hospital Getúlio Vargas, onde recebeu alta poucas horas depois. O Morro do Juramento é comandado por Diego Lopes Lacerda, conhecido como Mucefim, que atua em ações violentas contra rivais. Ele está sob as ordens de Edgar Alves de Andrade, o Doca, e Carlos da Costa Neves, o Gardenal, que comandam as operações do CV na área.
Para combater a violência, a Polícia Militar do 41º batalhão de Irajá intensificou o patrulhamento na região, utilizando viaturas e veículos blindados. A PM informou que está em busca dos criminosos envolvidos nos recentes tiroteios. Além disso, uma mulher foi usada em uma emboscada contra rivais do TCP, resultando em sequestro, tortura e assassinato de dois homens associados ao grupo rival. As mortes foram documentadas por integrantes do CV, que usaram redes sociais para intimidar e compartilhar os crimes.
A investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, que teve início em 2023 e foi concluída em março de 2025, continua a monitorar as atividades das facções por meio de gravações e documentos que evidenciam o cotidiano criminoso na comunidade. A reportagem ainda tenta localizar os advogados de defesa dos acusados. A instabilidade na região do Morro do Juramento levanta dúvidas sobre a eficácia das autoridades em controlar a situação, enquanto a população permanece em alerta diante dos conflitos.

