Um vídeo de câmera de monitoramento mostra o momento em que um homem em situação de rua entregou um cachorro da raça Spitz Alemão para um casal após furtá-lo em Santos (SP). Testemunhas relataram que o animal foi vendido por R$ 100. Nick, o cachorro de quatro anos de idade, foi recuperado pelos policiais do 7º Distrito Policial da cidade após ser levado pelo casal para o estado de Santa Catarina. As investigações continuam com o objetivo de identificar o homem em situação de rua e entender a participação do casal.
Uma câmera de monitoramento registrou um homem em situação de rua entregando um cachorro da raça Spitz Alemão para um casal após furtá-lo de um estacionamento em Santos, no litoral de São Paulo. Conforme apurado pela Polícia Civil, testemunhas relataram que o animal, de quatro anos de idade, foi vendido por R$ 100,00.
O furto aconteceu no estacionamento da família do cão Nick, no bairro José Menino, no dia 26 de julho. A comerciante Luara Silva do Nascimento contou que o cachorro tinha o costume de ficar solto no local, e o homem em situação de rua aproveitou um momento de distração para furtá-lo.
O cão foi recuperado pelos policiais do 7º Distrito Policial da cidade, na quarta-feira (20), após ser levado pelo casal para o estado de Santa Catarina. As investigações continuam com o objetivo de entender o envolvimento do homem e da mulher, além de identificar a pessoa em situação de rua.
Como é possível ver nas imagens, o suspeito chegou no estacionamento de uma padaria, no mesmo bairro do furto, com o cão no colo. No local, ele teria recebido uma oferta de um casal que havia acabado de sair da panificadora.
“E esse cachorro aí? Te dou R$ 100 por ele”, teria dito o comprador, de acordo com o boletim de ocorrência.
A negociação entre a pessoa em situação de rua e o casal durou aproximadamente dois minutos. Em seguida, o suspeito conversou com o segurança da padaria e foi embora a pé. O homem e a mulher saíram de carro com o cachorro.
As investigações da Polícia Civil envolveram a análise destas imagens, além do cruzamento de dados de registros bancários e placas de automóveis. Diante das informações, os agentes chegaram até um casal que tinha endereços nos estados do Paraná e de Santa Catarina.
O advogado do casal entrou em contato com a corporação após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em um dos endereços da mulher. O profissional se prontificou a apresentar os investigados e o cachorro na última quarta-feira (20), na Delegacia de Investigação Criminal (DIC) de Joinville (SC), que tem uma unidade especializada em proteção animal.
Apesar do cachorro ter sido devolvido, o delegado do 7º DP de Santos, Jorge Gonçalves Cruz, afirmou que as investigações continuam para identificar o homem em situação de rua. De acordo com ele, o suspeito pode ser indiciado por furto, “desde que realmente seja demonstrado essa prática delitiva”.
Em relação ao casal, ainda de acordo com o delegado, o homem alegou não saber que a pessoa estava em situação de rua e teria apenas ficado preocupado com o cachorro que estava perdido.
“[Ele falou:] ‘Se você quiser, deixa comigo. Eu sou biólogo. Eu vou ficar com o cachorro e você fica com o meu cartão. Se algum proprietário reclamar e procurar, liga para mim e eu faço questão de devolver, mas pelo menos assim eu vou cuidando dele’. Essa foi a argumentação dele”, afirmou o delegado.
Cruz explicou que ainda vai analisar o envolvimento do casal com três possibilidades:
* Receptação culposa [quando o crime é cometido sem intenção] porque os investigados deveriam perceber a desproporção do cachorro para a pessoa que estava o oferecendo;
* Receptação dolosa [quando a pessoa adquire algo, sabendo que é produto de um crime];
* Mal-entendido. “Eles acabaram ajudando o cachorro e se envolvendo nessa situação”, explicou o delegado.
O delegado buscou o animal no estado de Santa Catarina e o devolveu à família na quinta-feira (21). As imagens mostram o momento do reencontro no Palácio da Polícia Civil, no Centro da cidade da Baixada Santista.
Luara tem quatro filhos, de 8, 11, 12 e 14 anos, sendo que o menino, de 12, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), estava sofrendo com a falta do cachorro.
“Não é só um cachorro. Ele é um membro da família, como se fosse o nosso filho também”, afirmou a comerciante. “Eu fiquei muito emocionada, muito feliz. Eu não tenho palavras para agradecer todo esforço do delegado e dos investigadores”, completou Luara.

