Em um escalada dramática no conflito entre Israel e Irã, os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, atacaram três instalações nucleares iranianas neste sábado (21). A ação, que representa uma mudança significativa na postura americana, ocorre após dias de troca de ataques entre Israel e Irã, com um saldo de centenas de mortos, segundo estimativas de grupos de direitos humanos.
**A escalada do conflito**
Israel e Irã têm trocado ataques desde a última sexta-feira (13), com militares israelenses lançando uma operação para destruir alvos nucleares iranianos. Em resposta, Teerã retaliou com mísseis contra cidades israelenses como Tel Aviv, Haifa e Jerusalém. Os bombardeios resultaram em mais de 240 mortes e milhares de feridos nos dois países, de acordo com balanços oficiais.
Os Estados Unidos, tradicionalmente um aliado de Israel, até então não haviam se envolvido diretamente no conflito. Em fevereiro, Trump retomou a política de “pressão máxima” contra o Irã, buscando forçar o país a negociar um novo acordo sobre armas nucleares.
**Especialistas apontam para riscos e consequências**
Maurício Santoro, doutor em Ciência Política, já havia alertado para o potencial de um ataque americano agravar o conflito. Priscila Caneparo, doutora em Direito Internacional, concorda, prevendo um conflito ainda mais sangrento com mortes de civis.
Santoro observa que o deslocamento de tropas e armamentos americanos para o Oriente Médio indicam uma preparação para o combate, enquanto Caneparo aponta que a ação de Trump pode ser vista como uma quebra de promessas de campanha, com possíveis impactos negativos em sua base eleitoral. Gunther Rudzit, da ESPM, pondera que o impacto eleitoral pode ser limitado, dada a capacidade de Trump de moldar narrativas.
**Impacto no programa nuclear iraniano e estabilidade regional**
Especialistas concordam que a entrada dos EUA no conflito expõe as fragilidades internas do Irã e pode colocar em xeque seu programa nuclear. Santoro acredita que o objetivo inicial dos EUA é interromper o programa nuclear iraniano, mas há indícios de que também pretendem derrubar o regime dos aiatolás. Caneparo adverte que um colapso do regime pode levar a uma radicalização ainda maior na região.
**Consequências globais e econômicas**
A entrada dos EUA no conflito tem o potencial de gerar consequências globais. Santoro alerta que o Irã pode minar o Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o petróleo, o que poderia causar um aumento expressivo nos preços globais. Caneparo acrescenta que uma guerra na região é desfavorável até mesmo para aliados do Irã, como China e Rússia. Santoro observa que a China tem adotado uma postura cautelosa em relação ao conflito.
Os analistas concordam que o maior risco agora é uma escalada generalizada no Oriente Médio, com aumento das mortes de civis. Caneparo compara a potencial destruição à vista em conflitos anteriores, como as guerras do Afeganistão e do Iraque.
