O Hospital Municipal de Cubatão (SP) tem adotado uma inovadora iniciativa para reduzir o medo de crianças durante cirurgias, utilizando fantasias de super-heróis e um carrinho elétrico. O projeto, que atende crianças de 2 a 10 anos, é uma extensão de experiências anteriores de humanização, como o brincar terapêutico. Para o uso do carrinho, há uma limitação de idade de até 5 anos, enquanto as fantasias podem ser usadas por crianças até 10 anos.
Sandra Mattos Ferreira ficou emocionada ao ver seu filho Davi, de 9 anos, vestido de Capitão América a caminho da sala de cirurgia para uma orquidopexia. Ela, que já acompanhou Davi em diversas cirurgias desde 2021, notou uma diferença significativa no comportamento dele antes do procedimento. “Ele ficou bem descontraído com a nova iniciativa de poder, de alguma forma, brincar, mesmo em um momento tão tenso”, contou Sandra, mãe de quatro filhos. Um dos momentos mais marcantes foi quando o anestesista fez uma brincadeira para acalmar Davi, que riu antes de adormecer.
O secretário de Saúde, Márcio Oliveira, explicou que a ideia surgiu após a observação de pesquisas de satisfação de pacientes, que revelaram o medo e a aflição que mães e crianças sentem no centro cirúrgico. O projeto é sistemático, com cirurgias pediátricas realizadas semanalmente e a equipe de enfermagem organizando todo o fluxo. As fantasias são higienizadas na lavanderia do hospital, e o carrinho elétrico é desinfetado após cada uso.
O cirurgião pediatra Francisco Solano Torres destacou que as fantasias de super-heróis são as mais utilizadas, pois são leves e fáceis de limpar. Ele ressaltou que o brincar terapêutico vai além das vestimentas, incluindo outras atividades lúdicas que ajudam a tranquilizar as crianças. Segundo Torres, o ambiente hospitalar pode gerar estresse, e as atividades lúdicas transformam a experiência da chegada ao hospital e a entrada no centro cirúrgico.
O médico explicou que a aplicação do brincar terapêutico no HMC é perceptível na redução de taquicardia, ansiedade e agitação durante a anestesia, além de proporcionar um despertar anestésico e recuperação psicossocial mais tranquilos tanto para as crianças quanto para os pais. O projeto inclui atividades lúdicas conduzidas por profissionais, especialmente pela equipe de anestesia, que utiliza brincadeiras durante as consultas pré-anestésicas e no centro cirúrgico, apresentando equipamentos de forma leve para evitar assustar as crianças.
Entre os procedimentos mais comuns realizados pela equipe estão postectomias, herniorrafias e correções de distopias testiculares. A iniciativa tem se mostrado eficaz na humanização do atendimento pediátrico, proporcionando um ambiente mais acolhedor e menos assustador para os pequenos pacientes.

