A Justiça concedeu prisão domiciliar ao empresário Ademir Pereira de Andrade, de 51 anos, um dos 12 réus denunciados por envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) através de um habeas corpus, atende a um pedido da defesa, que alegou graves problemas de saúde e necessidade de internação em UTI. Ademir é um dos acusados no caso que investiga um esquema de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e corrupção, revelado após a delação de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, assassinado em novembro de 2024.
**Decisão Judicial e Alegações da Defesa**
A juíza Márcia Mayumi Okoda Oshiro, da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, acatou a decisão do STJ e determinou a expedição do alvará de soltura. A defesa de Ademir argumentou que o empresário necessita de cuidados médicos intensivos em um hospital particular, justificando a necessidade da prisão domiciliar.
**Denúncia do Ministério Público e Envolvimento de Agentes Públicos**
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) denunciou os 12 réus por crimes como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, corrupção e outros delitos. Segundo o Grupo de Atuação Especial e de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os acusados atuavam em conluio com o PCC. Além de Ademir, foram denunciados o advogado Ahmed Hassan Saleh, o empresário Robinson Granger Moura, e os delegados da Polícia Civil Fábio Baena Martins e Alberto Matheus Pereira Júnior.
A lista de denunciados inclui também os investigadores Eduardo Lopes Monteiro, Marcelo Marques de Souza, Marcelo Roberto Ruggieri, Valdenir Paulo de Almeida, Valmir Pinheiro, Rogério de Almeida Felício, e a esposa deste último, Danielle Bezerra dos Santos. O delegado Alberto Matheus Pereira Júnior é o único que não foi preso. Os demais agentes estão detidos no Presídio Especial da Polícia Civil.
**Investigação Aponta Uso da Estrutura do Estado para Favorecer o Crime**
As investigações do Gaeco revelaram que os policiais civis utilizaram a estrutura do Estado para favorecer o PCC. A Corregedoria da Polícia Civil solicitou a transferência dos agentes para uma unidade onde vigora o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), um sistema de punição mais rigoroso, mas o pedido foi negado pela Justiça.
O MP pediu à Justiça que os acusados paguem R$ 40 milhões pelos “danos causados pelos crimes cometidos”. A denúncia detalha que os réus usaram a estrutura do Estado para obter vantagens ilícitas, e que os delegados e investigadores se uniram a criminosos para transformar órgãos como a Polícia Civil em instrumento de enriquecimento ilícito e proteção ao crime organizado. O caso continua em andamento, com a análise das provas e o andamento das ações penais contra os acusados.
