O adiamento da chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Blindagem, nesta quarta-feira (27), ocorreu em meio a reuniões parlamentares marcadas por ânimos acirrados e até acusação de vazamento da redação final da proposta.
De acordo com relatos feitos à CNN, deputados da oposição afirmaram ter recebido informações sobre o encaminhamento — não autorizado — de “prints” do texto do projeto a gabinetes de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Momentos antes, o relator da proposta, deputado Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), havia apresentado um parecer final aos líderes dos partidos, a portas fechadas.
A acusação, feita durante encontro na residência oficial da presidência da Câmara, acabou azedando ainda mais o clima para a votação de medidas que podem proteger o legislativo de ações do judiciário.
Sem um caminho de consenso, restou ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), jogar a pauta para a próxima semana.
Nos bastidores, há quem duvide que a votação ocorra quando as atenções estarão voltadas ao Supremo Tribunal Federal e ao julgamento de Jair Bolsonaro (PL).
Para além das divergências e dos vários apontamentos sobre a inconstitucionalidade de trechos da proposta, a impopularidade também pode contribuir para o enfraquecimento do assunto.
Nesta quinta-feira (28), levantamento realizado pela AtlasIntel/Bloomberg apontou que a maioria da população rejeita as iniciativas da PEC, como a obrigatoriedade de autorização do Congresso para a prisão de parlamentares.
O temor do desgaste político fez até mesmo o PL, partido que encabeçou apoio ao texto, admitir a necessidade de recuar da defesa.
A avaliação de integrantes da legenda é que não dá para a bancada se “queimar sozinha” diante do eleitorado, ainda que a proposta conte com apoio discreto do centrão e até de siglas da base aliada ao governo Lula.
A preocupação também considera a possibilidade do PT acabar se beneficiando com a rejeição da PEC.
Publicamente, líderes petistas têm se posicionado contra o texto.

