Pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) foram encontrados mortos em praias de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, e em Ilha Comprida, no litoral Sul e Sudeste do Brasil. Ao todo, 566 pinguins foram contabilizados, sendo 350 em Ilha Comprida e 216 em praias de Santa Catarina. Especialistas apontam que a morte dos animais pode estar relacionada à separação durante a migração, além de fatores como falta de alimento, interferência humana e interação com redes de pesca.
O biólogo Alex Ribeiro destacou que os pinguins encontrados parecem ser jovens e podem ter se perdido durante a migração. Ele explicou que, em sua primeira viagem, os animais podem não estar bem orientados e acabam se aproximando demais da costa, ficando à deriva no mar e sem alimentos. A causa exata da morte, no entanto, deve ser confirmada por meio de análise necroscópica.
Além disso, Alex ressaltou que a presença de óleo ou ingestão de lixo pode ter influenciado na aproximação dos pinguins à costa. O biólogo William Rodriguez Schepis também mencionou a interação com redes de pesca, que muitas vezes são descartadas no mar, já que os pinguins não têm valor econômico para os pescadores.
Apesar do grande número de pinguins encontrados mortos, Alex destacou que isso pode ser parte da seleção natural da espécie, que conta com mais de 1 milhão de indivíduos na Patagônia. A migração dos pinguins ocorre entre junho e setembro, quando eles deixam suas colônias na Argentina e se deslocam em busca de alimento.
O biólogo Rafael Santos acrescentou que as águas do Sudeste, especialmente ao norte, não oferecem a alimentação necessária para todos os pinguins, que costumam migrar em grupos de 10 a 15 mil. A maioria dos pinguins que encalham apresenta características semelhantes, como estar magros e serem filhotes. William também observou que a quantidade de pinguins encontrados em um curto período é expressiva, o que requer uma análise mais aprofundada das carcaças.

